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Sábado, Maio 08, 2004
![]() Eles são de Liverpool. São do casting da Deltasonic. Tem uma sonoridade que remete aos anos 60. Alguém aí falou no The Coral? Pois é, o Zutons, que foi formado em 2002, sofreu no começo da carreira, com essas comparações com os seus conterrâneos... "Eu acho que antes, todos pensavam que éramos como o The Coral, só que não tão bons" é o que diz Dave McCabe, vocalista e guitarrista do grupo. O lançamento de "Who Killed The Zutons?" vem à tempo de desfazer essa imagem equivocada do início do grupo. "A seis meses atrás, eu comecei a escrever canções bem melhores. Eu não estava só tentando soar louco o tempo todo. Eu tentei simplificar tudo e então descobrimos o que queríamos ser". E o que eles conseguiram criar foi um som que vai do soul ao rock, do jazz ao funk, da surf music ao folk e country. Tudo com uma forte carga melódica e pop, diferenciando-se aí do Coral, que investe pesado no psicodelismo. O Zutons faz parte de uma cena que cada vez mais toma forma em Liverpool. Bandas que usam e abusam do som de grupos como Devo, The La´s, Dexy´s, Captain Beefheart, Madness, Sly And The Family Stone, Talking Heads, entre outras. "Nós sempre quisemos ser como o Sly And The Family Stone ou o Talking Heads ou o Devo. Misturar tudo e mostrar cada ângulo disto no som e acho que conseguimos chegar lá". O álbum todo é muito bom. Já começa com a ótima 'Zuton Fever' (onde o sax da bela Abi Harding tem grande destaque, junto com slides de guitarra) e segue com aquela que foi o primeiro single do disco, 'Pressure Point' (baixo funkeado e final com Dave se esgoelando). A terceira faixa, 'You Will You Won't' seja talvez a música que melhor traduz o que é o som da banda. Soul com funk, guitarras meio bluseiras e swingadas e arranjo de sax perfeito (todos sabemos como é difícil fazer esse instrumento funcionar numa banda de rock...). Seguem a balada 'Confusion', a fantástica 'Havana Gang Brawl' (uma espécie de surf music dark com um clima meio sombrio), a country 'Railroad', e 'Long Time Coming' (outra faixa destaque; guitarra e sax guiam a música com improvisações de Boyan Chowdhury, o outro guitarrista do grupo). As duas faixas seguintes ('Nightmare Part II' e 'Not A Lot To Do') fazem jus às comparações do Zutons com o Coral. São as mais fracas do disco. Mas não chegam a comprometê-lo. Até porque logo em seguida vem a ótima 'Remember Me', folk dos bons, que tem cara de mega single. O tipo de música que deixa o seu dia mais agradável. E pra fechar o álbum, 'Dirty Dancehall' (com seu clima soturno) e 'Moons And Horror Shows' (outro folk bacana, pra fechar em grande estilo; Dave divide os vocais com Abi). Ótimo disco de estréia. Uma das bandas revelações de 2004. ![]() Dave McCabe - Vocal & Guitarra Sean Payne - Bateria Russell Pritchard - Baixo Boyan Chowdhury - Vocal & Guitarra Abi Harding - Saxofone www.deltasonic.co.uk www.thecoral.co.uk www.thezutons.co.uk www.clubdevo.com www.beefheart.com www.talking-heads.net :: Quarta-feira, Maio 05, 2004
Posted
11:17 PM
by Up For Sale
Domingo, Maio 02, 2004
O público foi satisfatório. Acho que foi algo em torno de 90% dos lugares da parte de baixo preenchidos. Tudo ocorreu na boa. Alguns problemas no som aqui e acolá. Hell On Whells foi uma ótima surpresa. O vocalista do Pelvs é a cara do Stephen Malkmus. Profiterólis é chato pra caramba. E os caras do Parafusa tocam pra carálio. Aqui vai o relato dessa noite histórica para Recife. O dia que o Teenage Fanclub tocou pela primeira vez em solo sulamericano. Enfim, e com alguns anos de atraso, o Teenage Fanclub vem ao Brasil, e para nossa sorte, à Recife também. Antes tarde do que nunca. Deve-se agradecer ao pessoal do Coquetel Molotov, que foi atrás e conseguiu realizar este feito enorme. Afinal sabemos da dificuldade que é a de se promover shows por essas bandas de cá. O início dos shows estava marcado para as 20 horas. Depois de um pequeno atraso, o Parafusa entrou no palco. É talvez a banda que tem os melhores músicos daqui de Recife. E foi isso que se viu na apresentação deles. Um show de técnica. Foram dez músicas. Todas novas (quer dizer, que não entraram no primeiro disco demo). Quando eles investem mais no rock, que nas referências regionais, eles se dão bem melhor. Mas conseguiram dar o seu recado. Foram muito aplaudidos. Profiterólis veio logo em seguida. Eles fazem um tipo de som cheio de referências. "Rock, mambo, metal, samba, funk", como eles mesmos dizem, fazem parte do leque de influências do grupo. Só que o resultado não empolga. Acompanhei duas músicas e não gostei de nenhuma delas. Foi uma banda que sobrou no festival. Na sequência tivemos a carioca Pelvs, que tocou pela primeira vez em Recife. Estava curioso para vê-los, pois não conhecia nada do som do grupo. Infelizmente acabei perdendo o começo da apresentação. Apresentação essa que, diga-se de passagem, foi a mais curta da noite. Eles tiveram uns pequenos problemas de som (havia um zumbido nas caixas e o som do baixo não estava lá essas coisas) que foram resolvidos com o decorrer do show. O som deles é uma espécie de mistura de Yo La Tengo com Pavement. Melodia do vocal acompanhando o fraseado da guitarra, músicas climáticas. Eles conseguiram agradar grande parte do público. Eu gostei bastante. Quando a sueca Hell On Whells entrou no palco, a expectativa de todos era de como seria o show daquela banda, que para a grande maioria dos presentes, era desconhecida. Pois tá aí. Foi uma ótima surpresa. Eles têm na sua formação 3 pessoas. Um batera muito bom, uma baixista totalmente inespressiva, mas que cativa pela simpatia, e um vocal/guitarra monstro, muito louco, e que compensa totalmente a inespressividade da baixista. Até aquele momento, o público tinha acompanhado sentado todos os shows. Pois a baixista sueca pediu que todos se levantassem, sendo prontamente atendida. Dá pra sacar no som deles uma grande influência de Pixies (que aliás é confessa), só que com uma guitarra mais suja e distorcida. Foi uma apresentação realmente empolgante. Eles conseguiram angariar novos fãs. Era chegada a hora que todos esperavam. Teenage Fanclub, ali na nossa frente, tocando para nós. A essa altura ninguém mais respeitava os lugares marcados, e grande parte do público foi para a frente do palco. O show começou com uma das minhas favoritas 'About You', e com todo mundo cantando junto. A primeira coisa que me veio à cabeça, foi como eles estavam diferentes (quem viu a foto no post anterior também deve ter estranhado hehehe). Eles tocaram grande parte das minhas músicas favoritas, 'Don't Look Back', a balada de violão 'Mellow Doubt', 'Star Sign', a fantástica 'What You Do To Me' e claro, a música que talvez traduza melhor o que é o Teenage, 'The Concept'. Uma coisa que tem que se ressaltar é a qualidade das harmonias vocais realizadas pela banda. Eles não desafinam em momento algum. Cantam muito. Especialmente o baixista Gerard. Rolaram ainda 'I Need Direction', 'Did I Say', 'Your Love Is The Place That I Come From'. Todas cantadas em coro pelos fãs da banda. Só dei por falta da música 'Neil Jung', que é a minha favorita e que tinha certeza que eles tocariam. Fazer o quê... Pra encerrar essa apresentação histórica, rolou a canção favorita do amigo Hugo Montarroyos (que por sinal acertou quase todas músicas do set, basta ver o post anterior), 'Sparky's Dream' (depois rolou um bis com mais três músicas). Quem não era fã, tornou-se depois deste momento. Showzaço. Um show histórico, outros três ótimos, e um mea boca. Saldo imensamente positivo. Sucesso absoluto pro festival. O teatro da Ufpe, apesar de ser um lugar inusitado para um show de rock, acabou agradando a maioria. Parabéns a todos do Coquetel Molotov pela inciativa e pelo sucesso da realização do evento. Que aconteçam mais e mais festivais como esse. ::
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