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Sexta-feira, Junho 04, 2004




MÚSICAS PARA JÁ



Dogs Die In Hot Cars


Dogs Die In Hot Cars - Godhopping (single mais recente deste grupo escocês que nem cd tem no mercado... quem me conhece, já deve ter me escutado falar dessa banda... eles retornam com um single bem melhor que o anterior, o 'Man Bites Man'... pianinho no melhor estilo art-pop, a música é ótima)

Thirteen Senses - Thru The Glass (outra que ainda não lançou o primeiro álbum, o Thirteen Senses já começa a ganhar destaque, muito por causa dessa música aí... de cara parece uma mistura de Muse com Starsailor... na imprensa européia eles são apresentados como o Mercury Rev inglês... isso já é um pouco de exagero, mas o som deles é bem interessante, vale conferir)

Mellotrons - Evenning (banda pernambucana com 7 anos de existência, mas que só agora lança seu primeiro Ep... mas a espera valeu a pena... "Mellotrons Ep" tem 4 músicas, sendo a primeira faixa o grande destaque... o som é indie-rock com ótimo trabalho de guitarras e baixo)

Hope Of The States - The Red The White The Black The Blue (banda que está sendo aclamada como um dos destaques atuais... seu primeiro álbum, "The Lost Riots", lançado recentemente, já é tido como um dos melhores lançamentos do ano)

The Bees - Chicken Payback (a primeira coisa que vem à cabeça quando se escuta esse cdzinho do Bees é que ele deve ser uma fita restaurada de alguma banda dos anos 60... só pode ser... escutem esta música aí e digam se estou errado)

www.dogsdieinhotcars.com
www.thirteensenses.com
www.hopeofthestate.com
www.thebees.info

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Domingo, Maio 30, 2004




COBERTURA FESTIVAL MADA 2004 - SÁBADO 22 DE MAIO

(por Breno Mendonça)



The Walkmen


Promessa é dívida. Depois de muito adiado, eis que enfim eu escrevo o relato da viagem à Natal para assistir ao terceiro dia do festival Mada. Nem sei se faz sentido escrever sobre o Mada, depois de todo esse tempo hehehe, mas vou escrever mesmo assim... Quem acompanha esse blog sabe da novela que foi pra arrumar uma galera pra ir pro Mada e tal. Quando tudo parecia estar certo, alguém desistia de última hora, e lá íamos eu e Guilherme (Recife Rock) atrás de gente pra lotar a van novamente. Resumo da ópera... Só conseguimos fechar a galera na rabeta final (de última hora). Na manhã do show. Foi foda. Stress da porra. A van tava marcada pra sair de 2 da tarde. E até 11 e meia, eu ainda tava tentando convencer o povo a ir. Parece brincadeira. Eu ter que convencer uma pessoa a ir assistir um show do Walkmen hehehe.

Finalmente, ao meio dia, todos estavam confirmados. A galera foi a seguinte: eu, Guilherme e Hugo (Recife Rock), Gleisson e Bárbara (da banda Rádio de Outono), Jarmeson (do Coquetel Molotov), Bernardo (da banda Superoutro), Marcos (da banda Mellotrons) e mais duas amigas e um amigo meu, Ariana, Maria e Ricardo. A gente saiu de 2 horas, com previsão de chegada às 18 e meia. A viagem foi relativamente tranquila. O único porém, foi um acidente que rolou na divisa entre a Paraíba e o RN, onde 6 pessoas morreram, e que aconteceu momentos antes da gente passar pelo local. O clima ficou meio pesado. Tirando isso foi tudo muito bem. Uns preferiram conversar enquanto outros dormiram mesmo.

Seis horas da tarde estávamos já em Natal. Fomos direto pro lugar do festival, que fica do lado do Hotel Imirá e fomos logo comprar os ingressos e coisa e tal. Só que os ingressos não estavam sendo vendidos ainda. Só às 19 e meia... Então fomos comer alguma coisa, que ninguém é de ferro. Liguei para uma amiga que é da cidade, Juliana, e ela nos recomendou ir ao shopping que ficava perto da onde estávamos. Natal é uma cidade engraçada. Não tem quase sinalização nas ruas, poucos sinais de trânsito, e eles têm os restaurantes e lanchonetes com os nomes mais engraçados que já vi... Con-xi-China, Huga Búrguer, entre outros nomes de duplo sentido...

De barriga cheia e satisfeitos, fomos, agora pra ficar, para o Imirá. O público de Natal não costuma chegar cedo em festivais, foi o que me disse Juliana. Mas também não perderam muita coisa não. A noite demorou a engrenar. Assim que entramos, havia acabado de começar o show do Ravana (RJ), e não tinha ninguem no local. Se tinha umas 200 pessoas era muito. O Ravana tem na sua formação 3 mulheres e um cara (ou eram dois caras... tanto faz...). É uma espécie de Pitty com sotaque carioca. As músicas são pesadas e tal, mas não convencem nem um pouco. Um som bem manjado. Destaque para a baixista que é uma gata. Em seguida rolou o Allface. Banda de hardcore melódico (hehehe) de Natal mesmo. Eu realmente não gosto desse tipo de som, mas os caras até que não fizeram tão feio assim. Quem gosta do estilo deve ter gostado.

Com um público bem mais numeroso, o Automatics entra no palco. Eles lançaram recentemente um cd triplo! É isso mesmo que você leu... Triplo! Bem elogiado pela crítica e coisa e tal. São 33 músicas, 11 em cada disco, sendo um acústico, um eletrônico e outro elétrico. A minha curiosidade em relação ao show deles era como eles usariam toda essa miscelânia sonora, numa apresentação de meia hora... Na verdade, eles só tocam a parte "elétrica" do disco, que é um mix de suas influências... Tem um pouco de Jesus & Mary Chain e Oasis e muito de Placebo. Quem fechasse os olhos pensaria que estava num show do Placebo, tamanha é a similaridade. Tirando isso, o show foi legal.

Era a chegada a hora daquele que seria o melhor show nacional da noite (ou o segundo melhor show da noite). The Honkers da Bahia. Vocês que acompanham o blog aqui, devem ter lido nesse último post, logo mais abaixo, como eles são insanos, engraçados, viscerais, e totalmente rock! O show de sexta no Capibar foi muito bom. Mas Rodrigo Sputter e companhia conseguiram se superar nesse show do Mada... Foi completamente destruidor! Botaram todos os natalenses pra dançar. Todas as músicas que rolaram no Capibar também rolaram no Mada. E ainda teve o skazinho "Monkey Man", que não tinha rolado na sexta. No final ainda rolou uma cena muito divertida e rock n' roll com Rodrigo só de cueca e o guitarrista Pedro jogando sua guitarra em cima dele e ainda pisando em cima.

China veio em seguida, com a difícil tarefa de se apresentar depois da performance animalesca do Honkers. Ele foi o único artista/banda representante de Pernambuco no festival. Fazem parte de sua banda, Rafael, guitarrista do Planet Hemp, e Chiquinho e Vicente, respectivamente teclado e batera do Mombojó. E ainda tem uma baixista gatinha, que toca muito bem seu instrumento e manda uns backing vocals bem feitos. Eu acompanhei as três primeiras músicas e depois fiquei vendo de longe sem prestar muita atenção. Mas as que eu acompanhei me agradaram. São canções estruturadas no samba, com a guitarra viajando em cima, e usando muitos efeitos (delay, wah wah...). Alguém falou Mombojó? hehehe As vezes parece sim. Só que China não tem a riqueza de elementos que os mombojovens têm. O som dele é menos rebuscado. Mas é justamente essa sua "simplicidade" que o ajuda a ter uma interação maior com o público. Ele continua o mesmo dos tempos do Sheik Tosado. Pula pra cá e pra lá o tempo todo e chama a platéia para cantar junto. Espero ver seu show de novo para poder acompanhar com mais atenção.

O Gram era a uma das bandas que eu estava mais afim de ver. Nunca havia escutado uma única canção deles. Mas as comparações com Los Hermanos, Coldplay, e outras bandas inglesas, me fez ficar curioso em relação ao sua apresentação. De cara, fiquei com uma boa impressão. O vocalista e guitarrista tinha às mãos uma mini Rickenbaker, belíssima guitarra, e um verdadeiro sonho de consumo. Ao vivo as comparações do Gram ao Los Hermanos não fazem tanto sentido assim. O som deles tem definitivamente uma cara de rock inglês, com todos aqueles arranjos melódicos e intervenções de guitarra. A música que melhor traduz isso é 'Moonshine' (a única deles cantada em inglês). Destaque para as músicas 'Seu Troféu' (arranjo todo pomposo e pá), 'Sonho Bom' (essa lembra um pouco nossos conterrâneos do Parafusa), 'Quase ilusão' (os caras provam que, assim como o LH, eles também gostam de Weezer) e o mega hit 'Você Pode Ir Na Janela' que foi muito bem recebida pela platéia natalense (alguns até conheciam e cantaram a canção) e pra mim foi a melhor do set deles. Show bacana. O Gram tem tudo pra ser a próxima grande banda do escasso cenário rock tupiniquim.

Depois do Gram rolou o grupo local Mad Dogs. Eles têm 10 anos de carreira e coisa e tal, e o público natalense parece realmente gostar deles. A mim não agradou nem um pouco. Eu preferi ficar vendo a montagem do palco do Walkmen, que seria a banda seguinte. E ainda fiquei torcendo pro show deles acabar logo.

Era chegada a hora tão aguardada. Depois de 4 horas de viagem e mais 4 de outros shows o The Walkmen, grupo que lançou um dos melhores discos do ano, entra no palco do Mada. Conheço a banda desde 2002, quando o "Everyone Who Pretend To Like Me Is Gone" foi lançado. Me lembro de odiar o clipe da maravilhosa 'We've Been Had', que consistia em dois caras brigando ou algo assim... Mas foi esse mais recente "Bows + Arrows" que me fez ficar fã do grupo. E foi justamente, com as duas primeiras músicas deste disco que eles começaram o show. Com seu teclado analógico, Walter Martin começou a tocar as primeiras notas de 'What's In It For Me'. Ela é uma espécie de introdução. Emocionante e bela, não tem baixo, que só entra na execução da música seguinte. E que música seguinte. Na segunda canção do show, a fabulosa 'The Rat', o Walkmen já atinge a perfeição. Hamilton Leithauser a cantou como nunca. Aliás ele canta todas as músicas como se fosse o ultimo show da banda, gritando de uma forma que parece que sua alma vai sair de seu corpo, e principalmente nunca desafinando. Eu já vi outras performances deles tocando 'The Rat', e posso dizer que essa foi a melhor de todas. Até roda punk rolou (infelizmente hehe). Sem falar no show particular que Matt Barrick dá na bateria. O jeito dele tocar lembra bateristas antigos como John Bonham e Keith Moon, aquela técnica meio jazzística com feeling total, que é ao mesmo tempo violenta e precisa. Eu já estava realizado naquele momento, e pra mim a viagem já tinha valido a pena. Só que o Walkmen não é só 'The Rat'. Muito pelo contrário. Veio então uma sequência fantástica de músicas do primeiro álbum deles. 'Wake Up', 'Everyone Who Pretend To Like Me Is Gone', 'Revenge Wears No Wristwatch' e 'We've Been Had'. Um cara do meu lado, para a minha surpresa, cantava todas elas como um doido, e estava assim como eu, com um largo sorriso na boca... Um coisa tem que ser dita. Se tinha umas quinze a vinte pessoas que conheciam as músicas do The Walkmen era muito. Uma pena. Mas isso não foi empecílio para o publico curtir o show. Ao final das músicas sempre aplaudiam bastante. Mas voltando... Com sua melodia que mais lembra uma canção de ninar, 'We've Been Had' foi outro grande destaque. Ainda rolaram as também ótimas 'My Old Man' (destaque pra guitarra minimalista de Paul Maroon), a também emocionante e espetacular '138th Street' (esta canção é uma homenagem ao nome da rua onde eles moram em NY... Hamilton toca guitarra nessa), 'The North Pole' (também fantástica... notem que já usei todos os adjetivos possíveis, então vou começar a repetir hehehe), 'Hang On Siobhan' (Paul toca piano nessa). Para encerrar em grandissímo estilo os nova-iorquinos mandaram 'Thinking Of A Dream I Had' (pra mim o grande momento do show junto com 'The Rat'... grande performance de todos os integrantes), 'Bows + Arrows' (a música que mais exigiu de Hamilton, e ele não decepcionou) e o próximo single deles 'Little House Of Savages'. O Walkmen provou que não é promessa, mas sim uma realidade. Se nos discos as canções já são emocionantes e incríveis, ao vivo elas fazem ainda mais sentido. Show inesquecível. Um dos melhores que eu já vi. E ele provavelmente será um dos melhores entre os que eu ainda verei.

Depois de tudo aquilo, nada que eu visse seria tão bom. Então o melhor era dispersar e preparar a volta para Recife. Ficamos dando uma zapeada pelas dependências do festival, e acabamos encontrando um pouco mais tarde com os caras do Walkmen. Os caras vieram a mim, me pedir para tirar fotos, o que eu atendi prontamente hehehe. Em retribuição pedi para eles autografarem meu "Bows + Arrows". O Mada deu um côro legal no Abril Pro Rock. Mesclando revelações nacionais com atrações de grande porte e apostas internacionais, a organização do festival mostrou como se faz uma verdadeira celebração da música. Vamos ver se o Abril aprende a lição e toma jeito no ano que vem.

www.ravana.net
www.allface.digi.com.br
www.alternativab.com.br/automatics
www.thehonkers.com
www.somdomangue.com.br/china
gram.mosva.com.br
www.thewalkmen.com

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