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Quarta-feira, Julho 21, 2004
O 90 Day Men tem uma história curiosa. Eles são aquele tipo de banda que em algum momento de sua existência resolveu dar um novo direcionamento musical à sua carreira. Mas não da maneira mais provável, com a famosa evolução de suas composições com o decorrer dos lançamentos dos seus álbuns e com os anos de estrada. Eles fizeram isso depois do lançamento do primeiro disco. E essa tal "transformação" se deveu tão exclusivamente a uma pessoa: Andy Lansangan. Andy, que é pianista e tecladista, entrou no grupo em 2001, durante as gravações do primeiro álbum do grupo, o "[is (it) is] Critical Band" e meio que desencadeou essa mudança na sonoridade da banda. Até essa data eles tinham lançado dois ep's, ambos com forte carga new wave. O som era uma mistura de At The Drive-In com Sonic Youth (o chamado post-hardcore). Andy no entanto só veio a participar mais efetivamente das composições no álbum seguinte, o "To Everybody". É nesse momento que o piano passa a ser o principal instrumento do grupo, e eles dão um enorme passo evolutivo. O direcionamento das músicas se volta para o piano. Saem as microfonias, as bases de guitarras atonais e distorcidas, e entram os intricados e melódicos arranjos do Rhodes de Lansangan. Todos esses novos elementos apresentados em "To Everybody" chegam a seu ápice no terceiro e mais recente lançamento da banda, o fantástico "Panda Park". São sete faixas e pouco mais de 34 minutos de duração. Apesar da pouca duração do álbum, você tem a impressão de que passou uns 60 minutos escutando ele, dada a profundidade e riqueza das canções. Já de cara, 'Even Time Ghost Can't Stop Wagner' mostra qual é a deles. Piano e guitarra dão o tom da música, hora caminhando juntos, hora fazendo uma espécie de duelo. 'When Your Luck Runs Out' vem em seguida com o vocalista Brian Case quase que sussurando a letra. Uma influência radioheadiana é sentida nessa faixa (mais pelo baixo de Robert Lowe e pela levada rítmica da bateria de Cayce Key). 'Chronological Disorder' mostra os músicos estupendos que eles são, com um início atormentado mas que alcança a redenção com um grande e espetacular show de improvisações. A introdução 'Sequel' prepara para a mais bela faixa de "Panda Park", 'Too Late or Too Dead'. Lansangan puxa a responsabilidade pra si com uma emocionante linha de piano. 'Silver And Snow' vem com o vocal de Case mais angustiante do que nunca. Outra pérola do cd. A instrumental 'Night Birds' fecha o disco magistralmente com seus 8 minutos e meio de viagens e improvisações. O 90 Day Men mostra que é uma das bandas mais criativas e inventivas atuais, ao lado de grupos como TV On The Radio, Liars. Disco do ano? Talvez sim, talvez não, mas com certeza está na minha lista dos melhores. Brian Case - Vocal e Guitarra Robert Lowe - Baixo e Vocal Andy Lansangan - Piano/Teclados e Vocal Cayce Key - Bateria www.90daymen.com www.fact-index.com/r/rh/rhodes_piano :: Terça-feira, Julho 20, 2004
Posted
10:56 PM
by Up For Sale
A amiga Kênia Castro manda o relato de como foram os shows do I Festival Independente de Natal que aconteceu no último sábado dia 17 de Julho, onde rolaram apresentações das bandas pernambucanas Mellotrons e Mombojó. A foto acima também é dela. Valeu Kenia! por Kenia Castro http://www.dsignk.com/mrsdalloway I Festival Independente de Natal, uma ótima idéia e muito o que melhorar Um festival que buscou grandes proporções: muita música, teatro, sebos, fotografia, poesia e o melhor; ingressos a cinco reais. A "Cidade da Criança" mostrou-se o local ideal para esse tipo de evento. Para os que desconhecem, trata-se de um espaço arborizado destinado ao publico infantil com direito a lago artifícial, pedalinhos, área para ciclismo e, obviamente, uma concha acústica para shows. Para abrir a programação subiu ao palco, às quatro horas da tarde, o grupo natalense FunkSambaSoul com sua levada rock, funk e muitas batidas seguindo a linha Mangue Beat. Podemos dizer que são competentes e recebem um bom destaque na cena local, mas sem grandes inovações. O sol finalmente apareceu e junto com ele o público, quando entrou em cena o Peixe Côco, uma banda local mais antiga, e obviamente bem conhecida, chamando a atenção de algumas pessoas da platéia. A mesmisse de sempre, com letras um tanto quanto bobas. Nada demais. O Montgomery foi, como sempre, muito interessante agregando uma sonoridade no melhor estilo "Ira", embora existam aqueles que não concordem com esta afirmativa. Seja como for, o show foi bom, mesmo o publico estando um tanto disperso. Este aspecto pareceu uma constante ao longo de todo evento. Talvez o local, grande e aberto, propicie este tipo de atitude, devido a diversidade de atrações acontecendo ao mesmo tempo em locais diferentes. Seja como for, a expectativa de público foi surpreendente para este primeiro evento. Automatics na concha acústica, som extremamente competente e muito barulho ecoando por todo o parque. Alexandre (vocalista e um dos organizadores do festival) inúmeras vezes lembrou-me o vocal do Placebo e a sonoridade do Jesus and Mary Chain. Uma banda, antes de mais nada, audaz pelo recente CD Triplo e o lançamento de um novo álbum em parceria com o Mellotrons. Pela primeira vez percebeu-se com maior clareza aquele que foi o maior problema do festival: o som. A produção pecou em um dos quesitos essenciais para os que prestigiavam os artistas que passaram por ali. Desrespeito com o público e com as bandas. Aparentemente isso também ocorreu em outro palco onde aconteciam os recitais de poesia. O destaque local ficou por conta do Bonnies, rockabilly de primeiríssima qualidade que chamou a atenção dos dispersos e colocou muita gente para dançar. Não conhecia e fiquei surpresa com a performance dos caras. Mas como tudo o que é bom dura pouco, subiu ao palco a uma das coisas mais esquisitas que já presenciei na vida: Évora. Horrível é pouco, muito pouco, para tamanha masturbação auditiva. Assim como eu, várias pessoas fizeram questão de passear pelo parque clamando pelo fim de tamanha bizarrice. E os pernambucanos invadiram a área. Mellotrons vieram para mostrar que recifense também canta em inglês e que existe muito mais na cena pernambucana que o já tão conhecido movimento mangue. Mostraram muita competência no palco e pareciam brigar com aquele zumbido insuportável que insistia em atrapalhar o trabalho deles. Em alguns momentos, o vocal praticamente desaparecia e os garotos se mostravam apreensivos. Mas tocaram até o fim apesar dos contratempos e ainda agradeceram a oportunidade. Que venham mais vezes, porque já possuem admiradores por aqui. Já passava das oito quando a grande atração, o Mombojó, começou a ecoar seu som, digamos, "indefinido". Samba, eletrônico, rock, versões de Chico Buarque... olhos atentos e surpresos daqueles que presenciaram a empolgante apresentação. A aceitação foi imediata e quem não conhecia saiu de lá entusiasmado. O rap "Discurso Burocrático" abriu a apresentação seguida por "A missa". Músicas novas ou talvez anteriores, mas desconhecida até mesmo pelos entusiastas que cantavam em frente ao palco, marcaram o início do show. "Deixe-se acreditar", uma das mais esperadas, foi prejudicada por outro problema de som, mas ganhou um bis ao final como prêmio de consolação. A empolgação foi tamanha que um poeta potiguar subiu ao palco para recitar um poema de Chico Buarque ao ritmo da música que tocavam. Um momento inesperado e contagiante até mesmo para banda que terminou o show com sua música mais conhecida cantada por diversas pessoas que celebraram "o reino da alegria" em cima do palco. Apesar de tantos ruídos e vozes abafadas, o ritmo prevaleceu e a viagem dos pernambucanos valeu a pena, afinal conquistaram um público fiel por aqui. O Festival Independente de Natal pretende se firmar marcando uma nova data para janeiro do próximo ano. Só que da próxima vez, esperamos, melhor organizado e com um som de qualidade. ::
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