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Terça-feira, Setembro 14, 2004




DISCOS PARA JÁ

(por Breno Mendonça)




Aproveitando que estou de férias finalmente, resolvi tirar a poeira desse blog. Peguei todos aqueles cdzinhos esquecidos no meu Hd e escutei-os. Aqui vai a nata. Discos lançados esse ano que você deve baixar imediatamente!


Lali Puna - Faking The Books (2004)

Se pudéssemos descrever o grupo alemão Lali Puna em uma única palavra, esta seria inventivo. A banda é uma das preferidas de Colin Greenwood e Thom Yorke. Isso prova que os caras têm bom gosto mesmo. "Faking The Books" é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores discos do ano. Este é o terceiro do grupo de Valerie Trebeljahr e Markus Acher (que também toca no Notwist). Você encontrará músicas com texturas eletrônicas e barulhinhos aqui e acolá, com guitarra e bateria em segundo plano, como em 'Small Things' (quase um trip-hop), em 'People I Know' (que lembra a fase Kid A/Amnesiac do Radiohead), em 'Alienation', e na faixa título que abre o disco, e também faixas com o mais puro e direto indie rock, como em 'Call 1-800-Fear', em 'Micronomic' (que tem um refrão majestoso), e na ótima 'B-Movie'. O doce vocal de Valerie é uma constante no álbum, sempre lindo e muito bem construído ao longo das 11 faixas do álbum. Pode-se perceber elementos de bandas como Stereolab, Radiohead, Delgados e Notwist. Mas o Lali Puna condensa maravilhosamente essas influências de forma a atingir uma sonoridade própria. Você pode chamá-los de pop, eletrônicos ou rock. Talvez eles sejam tudo isto ao mesmo tempo. Mas o que importa no final é que temos aqui um grande disco.


Dios - Dios (2004)

O Dios é de Hawthorne, Califórnia. Mesmo lugar de onde saiu o gigante Beach Boys. Depois de tantos anos, diretamente desta cidade californiana, surge mais um grupo que investe tão somente em belas canções pop, baseadas na simplicidade do violão, mas desta feita, adornadas pela complexidade dos arranjos via sintetizadores e teclados analógicos. Pense numa mistura entre o já citado Beach Boys, Neil Young e Grandaddy e você conseguirá vislumbrar um pouco do que é o Dios. 'Nobody's Perfect' mostra de cara essa química perfeita que a banda exala, com sua melodia sessentista. Ela encaixa perfeitamente na descrição dita anteriormente. 'The Uncertainty' possui uma certa calmaria melancólica, também presente em outras faixas do álbum. Belíssimo refrão. '50 Cents' é fantástica, daquelas que ficam por muito tempo. Afinal, como disse o Gordurama, "fazer um refrão foderoso é mais difícil que comer um cu de virgem". Aliás, refrão foderoso é o que não falta neste disquinho. 'You Make Me Feel' é outro grande momento do álbum, com seu clima triste e lamurioso. Quando Beach Boys encontra Neil Young. Pois é, discaço. Baixe agora!


Kings Of Convenience - Riot On An Empty Street (2004)

Noruega, lar de oito em cada dez bandas de black metal. Lugar meio improvável para o folk de um grupo como o Kings Of Convenience. Oriundo da New Acoustic Movement (movimento criado pela crítica inglesa para descrever bandas como Starsailor, I Am Kloot e Turin Brakes, entre outras) o KOC chega a seu segundo álbum (terceiro se contarmos o de remix também) trazendo mais do mesmo. E agradando claro. Num mundo justo, eles teriam o status que o Belle & Sebastian tem atualmente, pois fazem melhor aquilo que o B&S se propõem a fazer. "Riot On An Empty Street" é, assim como o álbum anterior, uma pequena coleção de cançonetas bossa-folk todas acústicas, porém dessa vez Erlend e Eirik trataram de dar uma garibada nos arranjos, adicionando piano, cordas e instrumentos de sopro. De cara na faixa 'Homesick', o dueto no vocal não deixa dúvidas da simpatia do grupo pelo duo Simon And Garfunkel, também notada na faixa 'Gold In The Air Of Summer'. O single 'Misread' é uma pequena pérola, com seu arranjo de cordas e piano. Destaque para a participação de Leslie Feist, do grupo Broken Social Scene, em duas músicas. Na faixa 'The Build-Up', Leslie canta magistralmente, com seu vocal mezzo Bjork mezzo Chan Marshall, finalizando o disco em grande estilo. Eles são um dos grupos cotados para vir pro Tim Festival. Vale a conferida.


A.C. Newman - The Slow Wonder (2004)

A.C. é um cara "à procura do powerpop perfeito". Mais conhecido como Carl Newman, vocalista do super grupo The New Pornographers, ele apresenta para nós o seu primeiro álbum solo. "The Slow Wonder" em muito se assemelha ao trabalho do supergrupo de Carl. Powerpop com melodias sessentistas, guitarras marcantes e bateria marcada. A ótima 'Miracle Drug', o primeiro single, parece saída de um disco dos Pornographers, assim como a ultra pop (e deliciosa) 'On The Table'. É nas faixas mais lentas que Newman mostra a que veio. Seu vocal está irrepreensível em faixas como 'Most Of Us Prizefighters', 'Drink To Me, Babe, Then' (que lembra um pouco o The Shins) e na balada 'The Cloud Prayer'. 'The Battle for Straight Time' é o grande momento do álbum com seu riff inconfundível. A.C. Newman conseguiu com este disco o que vem tentando a dois com o New Pornographers: um bom álbum com boas músicas, do começo ao fim. Sem vacilos ou canções mea-boca, todas redondinhas. É de longe seu trabalho mais coeso. Pelo andar da carruagem o próximo disco dos Pornos será fantástico.


www.lalipuna.de
www.wearedios.com
www.kingsofconvenience.com
www.acnewman.net

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