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Terça-feira, Setembro 28, 2004




DISCOS PARA JÁ

(por Breno Mendonça)




A saga continua. Quero ver se consigo falar de todos os bons cds que tenho aqui no Hd. Pretendo fazer um post sobre os ruins também. Mas esses ficam mais pra a frente.


Interpol - Antics (2004)

Quando as primeiras músicas de "Antics" começaram a aparecer nos soulseeks da vida, os fãs se ouriçaram. A expectativa criada em torno do lançamento do novo disco do Interpol foi muito grande. Todos queriam saber como seria o retorno da banda que nos deu o já clássico "Turn On The Bright Lights". Quando a totalidade do álbum deu as caras na internet então, não precisa nem dizer que foi frenesi. Eu fui um dos que correu para o computador para baixá-lo devidamente. Minha namorada conseguiu achar um usuário que tinha os arquivos, então ela foi baixando e eu fui pegando dela. Passei uma madrugada baixando e logo em seguida escutando, música por música. A primeira escutada foi broxante. Eu gostava das músicas, mas não ficava totalmente satisfeito. E esse sentimento me incomodava.

Demorou um pouco para cair a ficha. Não que "Antics" seja um disco de difícil assimilação, que tenha que ser escutado diversas vezes para sua total compreensão. Longe disso. O álbum é recheado de canções fáceis de digerir. O grande lance é que quem esperava um novo "TOTBL" quebrou a cara legalzinho. O foco agora é outro. Eles deixaram de concentrar toda a atenção ao brilho e beleza dos arranjos minimalistas que criavam toda aquela atmosfera densa no primeiro disco. No lugar disso optaram por "simplificar" todo o processo, com canções mais diretas e rockeiras. O efeito disso foi um álbum mais coeso. Acompanhando esse novo processo, as guitarras quase não possuem efeitos, sendo tocadas na maioria das faixas com leves distorções ou simplesmente limpas. A cozinha (baixo-bateria) não tem o mesmo destaque do disco anterior, se limitando a fazer o feijão com arroz, porém com a perfeição de sempre. A voz de Paul não mais remete a de Ian Curtis. Está curiosamente com um timbre parecido com a de Michael Stipe.

Quem passar batido por esse cd só porque ele não é como o primeiro vai perder um grande disco. A faixa de abertura 'Next Exit' é uma espécie de prelúdio para as demais faixas, deixando claro que o clima do álbum é outro, menos dark. 'Evil' mostra que a banda está em grande forma ainda, com seu refrão explosivo; é a melhor música. 'Narc' começa meio vacilante mas logo entra nos eixos; outro grande refrão. 'Slow Hands' é o single arrasa-quarteirão. 'Not Even Jail' com seu instrumental fabuloso e sua forte carga emocional é uma das melhores composições já feitas pelo grupo. 'C'Mere' é uma música romântica. Romântica no estilo Interpol. Simples e eficiente. Boa de mais. O disco é uma verdadeira coleção de possíveis singles. O único vacilo fica pela chata 'Lenght Of Love'. O Interpol se mostra muito bem sucedido na sua busca por uma nova sonoridade, e conseguindo manter uma identidade. É a prova de que uma longa carreira está por vir.


The Libertines - The Libertines (2004)

Tão grande quanto ou até maior que a expectativa em relação ao novo disco do Interpol, era a em torno do novo lançamento do Libertines. Alimentada em parte por declarações do produtor Mick Jones, que disse em várias ocasiões que esse novo do grupo seria o disco que marcaria nossa geração. Exagerado o rapaz não... Nem tanto. O Libertines tem cara daquelas bandas que marcam épocas. Suas músicas são vibrantes e divertidas e têm uma cara bem própria. Ninguém soa como eles hoje em dia. E são cativantes, criando logo uma empatia. Os caras da banda vivem metidos em encrenca. Fazem o tipo problemáticos. Na verdade eles são mesmo. Querendo ou não isso cria uma curiosidade. Deixando de lado esse papo de marcar gerações, o "The Libertines" é um ótimo retorno, apesar de ser um pouco irregular. O começo é matador e já faz valer o disco, mantendo uma qualidade e pique incrível até a oitava faixa. 'Can't Stand Me Now', 'Last Post On The Bugle', 'The Man Who Would Be King' que são verdadeiras preciosidades. Perfeitas canções pop. A deliciosa 'Don't Be Shy' é desleixada, mas na medida certa. Embalada por violões temos a bela 'Music When The Lights Go Out'. A ótima 'Narcisst' traz a vibe punk de volta. 'The Ha Ha Wall' é outra música foda, mostrando um Libertines diferente. 'Arbeit Macht Frei' é porrada do começo ao fim. Aqui é que a coisa desanda um pouco. A partir da nona faixa o álbum oscila, trazendo as mazelas do grupo à tona. 'Campaign Of Hate' é chata e tem uma cara de que foi feita meio que na preguiça. 'What Katie Did' melhora um pouco, mas é muito sem sal. 'Road To Ruin' é ruim mesmo. 'What Became Of The Likely Lads' daria um b-side mea-boca. O que salva essa parte final do disco é a fuderosa 'Tomblands'. Fica evidente ao longo das catorze faixas do álbum o talento da banda. Pode não ser melhor que o "Up The Bracket" mas já é melhor que muita coisa por aí. O lance é trazer o Pete de volta e maneirar na chapação que teremos uma ótima sequência de álbuns memoráveis a caminho.

www.interpolny.com
www.thelibertines.org

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