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Terça-feira, Novembro 16, 2004




DISCOS 2004

(por Breno Mendonça)


Como nem tudo são flores na música pop, estou aqui escrevendo sobre uns discos que já estavam aqui no computador a algum tempo, mas que não se enquadram no DISCOS PARA JÁ simplesmente por não serem bom suficientes, ou por serem ruins mesmo. Procurei ser breve nos comentários sobre os discos. Tentarei fazer mais nesse formato, já que material tenho de sobra.


Bloc Party - Bloc Party Ep (2004)

Compilação de seis canções que reuni os três singles do grupo, "Bloc Party Ep" traz à tona mais uma banda da franquia Gang Of Four, grupo do final dos anos setenta/começo dos oitenta que vem sendo muito "homenageado" por várias bandas novas nos últimos anos, entre elas, o Franz Ferdinand, o Rapture e o Futureheads. O Bloc Party direciona seu som para uma faceta mais roqueira e menos dançante. Porém suas músicas mais dançantes são as que instigam mais, como o mega-hit 'Banquet' e a ótima 'She's Hearing Voices'. 'Banquet' é demais, uma das músicas do ano sem dúvida. Seu remix no final do álbum também é bacana. 'Staying Fat' tem uma levada bem esperta no melhor estilo art-punk. Completam o ep a nem-fede-nem-cheira 'The Maeshals Are Dead' e a insossa 'The Answer' que não é nada mais do que um b-side bem mediano. Apesar disso é um bom ep, que dá boas indicativas do que virá a ser o álbum de estréia. O negócio é ficar de olho.


Probot - Probot (2004)

O Probot é um antigo desejo do vocalista e líder do Foo Fighters Dave Grohl de dar vazão à sua veia metaleira e, de quebra, trazer para sua companhia ícones do metal idolatrados por ele. Figuras de várias vertentes do metal como Lemmy do Motorhead, o ex-Sepultura Max Cavalera, Tom Warrior do Celtic Frost ou ainda Cronos do Venom, estão entre os escolhidos. Grohl focou a composição das músicas no estilo específico de cada vocalista. Os melhores resultados do disco são exatamente os que ele chegou mais perto da sonoridade das bandas originais dos vocalistas como em 'Shake Your Blood', em 'Centuries Of Sin' e em 'Sweet Dreams' parcerias de Lemmy, Cronos e King Diamond respectivamente. O restante do disco é de uma chatice gigantesca que não instigam nem um guri que começou a escutar Nickelback outro dia, quanto mais fãs antigos de metal. Valeu a intenção pelo menos.


Charalambides - Joy Shapes (2004)

O Charalambides é um trio oriundo do Texas que já possui alguns anos de existência. Dizer que eles executam uma música experimental é pouco diante da viagem que é esse disco. Escutar "Joy Shapes" é um verdadeiro exercício de paciência. Eu tentei, juro que tentei. Mas porra, o que é que essa galera tinha na cabeça quando gravou isso? Só para se ter uma idéia, a primeira faixa 'Here Not Here' começa com um instrumento de cordas tocando repetidamente um único acorde, criando um clima, quase como um mantra, com vozes femininas cantando coisas sem significado por cima. Você fica na expectativa da mudança, do que virá em seguida. Só que se passam 21 minutos e nada muda! Quando você chega no décimo minuto, os gritos desafinados da mulher são tão agoniantes que te fazem pensar: "Que porra é essa?". E acho que a intenção deles é justamente essa, de despertar a agonia em quem está escutando. Só pode ser isso. Então eles acertaram na mosca. Vale pela experiência nada usual. Se você é avesso a discos estranhos com músicas "primitivas" como essas, fique o mais longe possível do Charalambides.


Dios - Los Arboles Ep (2004)

Ep que antecedeu o álbum "Dios" também lançado esse ano. O Dios - que mudou de nome para Dios Malos - mostrava a cara com um ep irregular. "Los Arboles" possui duas músicas do "Dios" em versões um pouco diferentes das encontradas no disco. Elas são, digamos, mais rústicas, porém não menos belas que as versões finais. São elas: 'All Said + Done' que virou 'All Is Said And Done' e 'You'll Get Yours'. Elas compõem o melhor momento desta bolachinha. A partir daqui é que a coisa desanda. 'Bust Out The Candy' até começa bem e tem um refrãozinho bacana, mas o trecho pós-refrão é estranho e bisonho, pondo tudo a baixo. A acústica 'Everyday' até que dá um gás, mas 'Tragic Lady' logo chega para piorar tudo novamente. Ela é o pior momento da carreira do Dios. Não é uma boa música com certeza. O vocal nela chega a lembrar Fred Durst para você ter uma idéia. Os caras provaram que aprenderam a lição melhorando idéias que se mostraram inacabadas, dando a luz posteriormente a um dos melhores lançamentos do ano.


www.blocparty.com
www.probotmusic.com
www.kranky.net/artists/charalambides
www.diosmalos.com

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